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Tiago Michelon: "a ordenha robótica mudou todo o fluxo da minha propriedade de 25,8 hectares"

MilkPoint

Quando se fala em ordenha robótica muitos acreditam que a tecnologia pode estar presente apenas em grandes propriedades por conta da viabilidade e custo de aquisição. Prova contrária disso é uma propriedade totalmente familiar – de 25,8 ha – localizada em Vespasiano Corrêa/RS, que se tornou adepta à opção. Tiago Michelon, proprietário da Granja Michelon, conversou exclusivamente com a Equipe MilkPoint sobre as adaptações da propriedade com a chegada do robô.

Vale destacar que ele será um dos palestrantes do Interleite Sul 2019, que ocorrerá nos dias 08 e 09 de maio em Chapecó/SC. O tema da sua palestra será “O que mudou na minha propriedade com o uso da ordenha robótica” e comporá o painel “Estratégias de negócio para viabilizar o produtor de leite familiar”.

Um pouco de história...

A granja começou na atividade leiteira há aproximadamente 32 anos e a longo dos anos, o negócio foi crescendo. “Nós começamos com 10 vacas e hoje temos 65 vacas em lactação, e esse número, dependendo da época do ano, aumenta ou diminui ligeiramente. No total, temos 130 animais confinados em compost barn, tanto as vacas de leite quanto as novilhas de recria, em galpões separados. De toda a nossa área, 21,5 ha são utilizados para o cultivo de alimentos para os animais. Usamos silagem de milho, azevém aveia no inverno. Além da ração e do feno, não compramos nada mais externamente e só não fazemos tudo aqui, por não termos área suficiente. A raça dos animais é a Holandesa, produzimos 2.500 litros de leite diariamente e agora com o uso da ordenha robótica, pretendemos chegar aos 3 mil até o final do ano. O desafio é grande, mas estamos no caminho”, explicou Tiago, que iniciou com a tecnologia no mês de agosto do ano passado.

produção de leite no Rio Grande do Sul
Animais da Granja Michelon

A decisão sobre a ordenha robótica

Tiago comentou que o principal incentivo e fundamento para iniciarem com a ordenha robótica foi a carência de mão de obra. “Quem realizava a ordenha eram meus pais. Como eu sou médico veterinário e também presto serviços para fora, não consigo ficar o tempo todo na granja. Minha mãe já estava bastante desgastada então levantamos a possibilidade de aderir uma nova tecnologia que contasse menos com o serviço humano. Também, como a nossa produção estava crescendo, iríamos necessitar em breve de uma terceira ordenha, já que a quantia por animal com duas estava entre 35-40 litros/dia. Tudo isso nos motivou a botar no papel se compensava mais a ordenha robótica ou trazer uma mão de obra terceirizada. No fim, chegamos à conclusão que pagar algum funcionário ou as parcelas da ordenha, ficariam ‘elas por elas’, então, ‘batemos o martelo’ e optamos pela tecnologia”, acrescentou ele.

ordenha robótica
Ordenha robótica na Granja Michelon

Adaptação dos animais

O produtor relatou que os primeiros 60 dias de ordenha robotizada foram um pouco estressantes para os animais porque tudo era muito novo para eles, visto que ainda estavam se adaptando.

“Nós também precisamos nos adequar a um novo processo e a todas as análises que começaríamos a trabalhar por meio das informações que o robô capta e transmite para a nossa equipe através de programas mais complexos. O que posso dizer de ‘boca cheia’ é que um dos primeiros resultados positivos do nosso investimento foi a flexibilização de horários. Hoje vamos ver os animais apenas para verificar como eles estão, se as vacas estão com algum problema, se o robô está acusando algum caso de mastite em alguma delas e outros problemas de saúde, ou até mesmo, ver de perto o comportamento dos animais que estão mais resistentes a irem para a ordenha, pois eles podem ter passado por algum estresse”, completou.

Michelon relata que a mão de obra reduziu de 70 a 80% e que o tempo passou a ser usado para outras atividades e para a identificação das informações fornecidas pelo robô, como citado anteriormente.

“O que nós sentimos aqui na propriedade foi uma maior dificuldade na adaptação das novilhas, o que é considerado normal em qualquer tipo de ordenha. Levamos aqui entre 7 a 10 dias para que elas se familiarizassem como o sistema a fim de que elas soubessem para onde ir, ganhassem confiança que aquilo traria um conforto para elas e que seria uma oportunidade para elas se alimentarem, tanto durante a ordenha quanto após a mesma. Depois de alguns dias desse ‘treinamento’, ficou muito mais tranquilo. Os animais que já haviam parido antes e que vivenciaram uma etapa da ordenha com robô anteriormente, já estão adaptados e não precisamos mais nos preocupar com eles, pois ‘reconhecem o território’”, complementa.

"Reduzimos a mão de obra entre 70 a 80% e o tempo passou a ser usada para outras atividades e para a identificação das informações fornecidas pelo robô"

Resultados preliminares

Tiago comentou que ainda não fizeram um ano de ordenha robótica na granja e quando isso ocorrer, terão em mãos dados mais precisos para trabalhar a fim de fazer comparativos entre os períodos.

“Teremos os dados dos ciclos inteiros e das lactações inteiras nos robôs. O que posso adiantar é que os dados preliminares mostram que – quando comparamos meses deste ano de 2019 com os mesmos meses de 2018, quando não éramos adeptos à tecnologia – tivemos um implemento de 10 a 15% na produção de leite, isso já podemos falar com toda a certeza. Às vezes um pouco mais ou um pouco menos, dependendo do período. Creio que o bem-estar proporcionado aos animais por meio da robotização contribuiu para que eles ficassem mais dóceis e mansos, pois não há nada e ninguém pressionando o rebanho, tudo é voluntário da parte das vacas. Depois que elas aprendem o fluxo, ficam mais calmas e temos hoje uma mansidão muito maior do que tínhamos antes”. 


Granja Michelon

Trabalho em família

Quando questionado sobre o trabalho em família realizado na Granja Michelon, Tiago disse que atualmente todas as decisões são de sua responsabilidade ainda mais porque seu pai agora está diminuindo o ritmo.

“Eu e a minha esposa gerimos a propriedade, tanto na área de insumos, como aquisição de novas máquinas e tecnologias. Todas as decisões passam por nós, até mesmo, a gestão dos números, índices zootécnicos, entre outros. Uma parte do manejo como o trato dos animais e limpeza das instalações ainda são tarefas dos meus pais. Com isso, nossa mão de obra hoje é 100% familiar. O que contratamos de fora são alguns diaristas na época de fazer silagem e pagamos a parte”.

O recado final de Tiago é: “produtores, não tenham medo das novas tecnologias, pois os resultados vêm e vêm mesmo, ainda mais, em propriedades com níveis de organização ótimos, números bem controlados e bom manejo. Hoje eu posso dizer de olhos fechados que quem implementar a ordenha robótica terá bons resultados com certeza”.

“Produtores, não tenham medo das novas tecnologias, pois os resultados vêm e vêm mesmo, ainda mais, em propriedades com níveis de organização ótimos, números bem controlados e bom manejo"