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Encadeamento Produtivo catarinense inspira produtores mineiros

MB Comunicação

Aprimoramento da gestão do negócio rural, organização da produtividade e melhoria nos resultados obtidos são reflexos das ações desenvolvidas pelo Projeto “Encadeamento Produtivo Aurora Alimentos – Sebrae/SC: suínos, aves e leite”, executado em parceria de entidades e cooperativas. Essas contribuições chamaram a atenção de empresários rurais de Minas Gerais que conheceram, nesta semana, as atividades desenvolvidas na região Oeste catarinense.

A comitiva mineira, composta por 34 participantes, conheceu o case da Cooperativa Central Aurora Alimentos com ênfase nas condutas de auxílio aos produtores cooperados e na atuação do setor de avicultura. A apresentação ocorreu no auditório do Frigorífico Aurora Chapecó I (FACHI), em Chapecó. Na sequência, a missão técnica esteve na Cooperativa Regional Itaipu em Pinhalzinho, onde acompanhou a explanação sobre a trajetória de uma família rural do município, premiada como empresa de excelência em gestão.

De acordo com a analista técnica do Sebrae/MG Simone Lacerda a missão técnica integra as ações do plano de capacitação do Encadeamento Produtivo, que está sendo implantado na região de Pará de Minas (MG), que possui a maior concentração de produção de suínos e aves daquele Estado. O processo de capacitação em Minas Gerais foi iniciado recentemente e tem como foco a melhoria da qualidade de criação dos frangos, o aprimoramento da organização e da gestão da propriedade rural e o esclarecimento sobre políticas corporativas.

“Escolhemos a Aurora por ser referência na produção de alimentos e pelos resultados alcançados com o suporte técnico no campo. Nosso desafio é auxiliar os produtores a separar a vida financeira pessoal da propriedade, pois eles não identificam a propriedade como uma empresa e acabam, muitas vezes, solicitando à empresa-âncora adiantamento porque não conseguem realizar uma gestão financeira eficiente”, analisou.

ENCADEAMENTO PRODUTIVO

O projeto visa desenvolver microempresas e empresas rurais e urbanas de pequeno porte da cadeia de valor da Cooperativa Aurora, com vistas à ampliação de negócios entre eles, a melhoria na competitividade das empresas envolvidas, habilitando-as ao atendimento das exigências dos mercados nacional e internacional.

Entre as ações desenvolvidas estão: programa no campo fase I – de olho na qualidade; no campo fase II – gestão da qualidade rural; sustentabilidade aplicada em empresas rurais; capacitação para técnicos; resgate de olho na qualidade; missões empresariais; feiras de negócios; seminários e outros eventos.

De acordo com o coordenador dos programas de qualidade da Aurora, Joel Pinto, o case da Coopercentral tem despertado a atenção em todo o Brasil, por instigar a curiosidade sobre que é ofertado de diferenciado aos produtores rurais que os tornam mais produtivos, com uma melhor gestão do negócio e uma propriedade organizada. “São 21 anos de trabalho, no qual o programa vem contribuindo para que as pessoas permaneçam no campo com renda e qualidade de vida. Esse know-how instiga o interesse, pois conseguimos mostrar ao produtor a viabilidade do seu negócio, o que reflete também na manutenção do jovem no campo. Pesquisa com as famílias participantes do programa revelou que mais de 60% das pessoas têm menos de 43 anos, ou seja, o meio rural ainda é jovem e temos muito trabalho a realizar”, argumentou ao antecipar que em 2020 será a primeira vez em que todas as cooperativas do Sistema Aurora participarão do projeto.

EXEMPLOS MINEIROS

O gerente administrativo da Granja Brasília, Adilson Augusto dos Santos Júnior, explicou que a empresa fundada em 1970 é uma integradora com ciclo completo no setor de aves (matrizes, incubatórios, fábrica de rações e abatedouro), situada em Pará de Minas (MG). Conta com 150 produtores rurais integrados, 2,5 mil funcionários e realiza o abate de 180 mil aves/dia, sendo 33% de produção própria e 67% da integração.

“A missão técnica contribuirá para a compreensão da importância do produtor gerir a propriedade como uma empresa, com controles e indicadores sobre o lucro e o que é necessário melhorar. Com isso, também conseguiremos estimular os produtores a investirem em tecnologia, e assim, todos crescem juntos”, comentou.

O médico veterinário e empresário rural João Luis Teixeira tem uma propriedade de 106 hectares no município de Maravilhas (MG), com atuação na avicultura (há mais de 20 anos) e na bovinocultura com experimento científico de cruzamento (há 13 anos), com orientação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A Fazenda Gaia aloja 48 mil aves por remessa.

“Essa visita na região Oeste catarinense despertará o interesse dos produtores rurais a investirem na profissionalização da atividade. Além disso, os conhecimentos adquiridos poderão ser replicados em nosso Estado de maneira economicamente sustentável”, analisou Teixeira ao destacar a iniciativa da Granja Brasília em viabilizar a missão técnica e gerar aprendizado.

Teixeira relatou que alguns produtores rurais utilizam galpões com pressão negativa para o alojamento de aves, em função de condições climáticas. “Vejo essa medida com temeridade, porque não apresenta os resultados esperados, há pouca tecnificação e é necessário adequar a engenharia para ajustar a temperatura e a umidade do aviário. Por isso ,defendo que o avanço tecnológico representa o melhor desempenho econômico na produção”, argumentou.

AVICULTURA AURORA

O gerente de avicultura da Aurora Alimentos Luis Carlos Farias apresentou a estrutura da Coopercentral no segmento de aves, que compreende: sete unidades fabris, quatro fábricas de ração e três incubatórios. “Das onze cooperativas filiadas, sete atuam no setor, isso resulta no alojamento de 35 milhões de frangos e mais de um milhão de animais abatidos/dia” ressaltou ao explicar também sobre os controles de biossegurança e os trabalhos desenvolvidos pelos técnicos no campo.

Farias esclareceu dúvidas dos participantes da missão técnica a exemplo do custo da produção e os incentivos e a remuneração aos produtores rurais. Para ampliar a produção regional, Farias explicou que setor está migrando do modelo de pequenos aviários para grandes estruturas. Também destacou a importância do vazio sanitário para manter o controle de doenças e assegurar a saúde dos animais alojados.

PARCEIROS

O “Encadeamento Produtivo Aurora Alimentos – Sebrae/SC: Suínos, Aves e Leite” é desenvolvido em Santa Catarina com as parcerias do Senar, Sescoop, Sicoob, Fundação Aury Luiz Bodanese, Cooperalfa, Itaipu, Auriverde, Coolacer, Copérdia, Caslo, Cooper A1 e Coopervil. No Rio Grande do Sul, conta com a parceria do Sicredi, Cooperalfa, Cooper A1 e Copérdia. No Paraná participam a Cooperalfa, Copérdia e Cocari e, no Mato Grosso do Sul, Coasgro e Cooperalfa.