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Integração da cadeia produtiva e ajuste de preços podem alavancar o setor de lácteos no País

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pecuária de leite no Brasil enfrenta um grande desafio que é o aumento do valor dos insumos utilizados para a alimentação de animais e a falta de ajustes no preço do leite pago ao produtor

Isso está fazendo com que alguns produtores se descapitalizem e percam sua condição de sobrevivência no setor, principalmente aqueles que têm custo de produção elevado, inclusive em razão da alimentação do rebanho e da compra de produtos fora da fazenda.

A observação é do engenheiro agrônomo e diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Alberto Figueiredo. Segundo ele, “a situação atual exige que os órgãos governamentais e a iniciativa privada, representada principalmente pelas cooperativas e pelas indústrias, se interessem em manter ‘a galinha dos ovos de ouro’ que são os produtores”.

Ao mesmo tempo, Figueiredo considera urgente a necessidade de maior integração entre os segmentos da cadeia produtiva do leite. O cenário atual, de acordo com os últimos prognósticos citados pelo diretor da SNA, poderá provocar uma redução significativa do número de produtores existentes no Brasil.

Comum acordo

“É importante que a cadeia produtiva, composta por fornecedores de insumos antes da porteira, produtores, transportadores, indústrias e comerciantes, entenda que, agindo em comum acordo, de forma negociada, será muito mais fácil evoluir no processo de produção, do que prosseguir no embate de produtores contra indústrias e de indústrias contra o comércio”, destacou Figueiredo.

“É fundamental um acordo comercial entre os agentes do processo produtivo. As grandes lideranças do setor devem começar a pensar nessa alternativa para o melhor entendimento nessa cadeia”.

Avanços tecnológicos

Para Figueiredo, a tecnologia é uma das grandes aliadas nesse processo de evolução do setor. “É preciso ter assistência técnica de qualidade e alternativas de produtividade, isto é, produzir leite em menos área e produzir mais leite por vaca na propriedade”.

O diretor da SNA reconhece que “a pecuária nacional experimenta alguns exemplos significativos de tecnologia avançada que não deve nada a nenhum país do mundo, nem em termos de produtividade, custo de produção e qualidade do produto vendido”.

Além disso, pontuou Figueiredo, “muitas propriedades verticalizaram a produção e estão entregando o leite já embalado, diretamente ao consumidor, em curto espaço de tempo”.

País exportador

A tendência, segundo o diretor da SNA, é que esses projetos se multipliquem e que a produção fique gradativamente mais concentrada nos grandes produtores tecnificados, com níveis de produtividade elevados e baixos custos de produção. “Com isso, em breve, esses produtores serão capazes de tornar o País exportador de leite e derivados em condições competitivas com o mercado mundial”, assinalou Figueiredo.

Para ele, após a atual fase de transição onde os produtores estão sendo desafiados a melhorar suas condições gerais de produção, “teremos um Brasil que não só irá garantir o mercado interno, mas também será capaz de colocar produtos lácteos em qualquer parte do mundo”.

Estatísticas

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que atualmente há mais de 1.100.000 propriedades destinadas à produção de leite no País, em sua maioria pertencente a produtores familiares, que garantem, em média, até 200 litros de leite por dia.

Já o consumo de lácteos no Brasil, por habitante e por ano, está em torno de 180 litros (cálculo da conversão do total em leite), mas a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 220 litros. “Temos a expectativa de que, com as mudanças das condições sociais do povo e a melhoria do poder aquisitivo da população, nós possamos melhorar esse quadro”, concluiu Figueiredo.