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Frigoríficos temem perder mercado após interdições por Covid-19

Globo Rural

“No mercado externo, essas notícias de fechamento causam uma imagem negativa. Todas essas plantas que estamos falando são de excelência, atendem o mercado interno, mas são exportadoras”, explica o vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra.

Os focos de Covid-19 e a interdição de unidades industriais de grandes frigoríficos no país, como JBS e BRF, ocorreram justamente no momento em que o setor encontrava condições positivas no mercado internacional. Com o dólar em alta e a queda na produção mundial, o Brasil tem registrado exportações recordes de proteína animal. Nos primeiros quatro meses do ano, foram 2,24 mil toneladas de carne exportadas, crescimento de 6,6% ante igual período de 2019.

“Mais do que nunca, este é o momento de cuidarmos da nossa reputação no mercado externo”, avalia Turra. Ele destaca que, com o fechamento de unidades produtivas nos EUA, tem sobrado espaço mais espaço para as exportações brasileiras e reconhece que o fechamento de frigoríficos pode afetar a capacidade de atender os pedidos internacionais. “Estamos fazendo de tudo para evitar que aconteça algo desse tipo porque seria um desastre para todos nós”, explica o vice-presidente da ABPA.

Em Santa Catarina, maior Estado produtor de suínos do país e que teve uma unidade da JBS fechada e redução da força de trabalho em uma planta da BRF, o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados (Sindicarne), revela preocupação com a possibilidade de perder habilitações no exterior. “Alguns mercados podem desabilitar plantas, isso gera consequências inestimáveis sobre o aspecto financeiro, porque não tem só o financeiro envolvido, mas também a credibilidade envolvida. E esse é uma grande medo que o setor tem”, afirma Jorge de Lima, o gerente executivo da entidade.

Entre produtores, o estado é de alerta, já que as exportações têm ajudado a compensar o momento de queda na demanda interna causada pelo Covid-19, como conta o diretor executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV), José Eduardo dos Santos. “Não há comprometimento da atividade, mas há um certo estado de alerta com a situação da pandemia. É um momento delicado. Somos um setor essencial, vamos continuar produzindo alimentos, mas precisamos estar atentos a todos os desdobramentos que teremos daqui em diante”, avalia.